ACTIVIDADES PROMOTORAS DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR

June 26, 2018

 

Este mês, coligimos dois artigos sobre actividades promotoras do desenvolvimento psicomotor da criança, desde o primeiro mês, até aos 5 anos.

 

Um artigo da responsabilidade do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, que responde a muitas das dúvidas e preocupações dos pais.

 

Ainda antes do artigo, uma observação óbvia, mas que nunca é demais recordar: para o pleno desenvolvimento, todas as crianças necessitam de amor, afeto, um meio familiar seguro e previsível e estímulos adaptados à sua idade.

 

ACTIVIDADES PROMOTORAS DO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR NO PRIMEIRO ANO DO BEBÉ

O desenvolvimento do bebé e da criança é um processo contínuo e sequencial, o que significa que a aquisição de determinada competência depende da detenção de outras capacidades prévias. 

Na sua trajetória, a criança vai evoluindo em autonomia, comunicação, cognição, motricidade grosseira e fina. É um processo individual e por isso cada criança é única, com ritmo próprio, e deve ser avaliada como tal. 

Nos primeiros meses, o desenvolvimento é extremamente dependente da maturidade física do bebé, sendo de esperar que um bebé que nasceu prematuro atinja os marcos de desenvolvimento mais tarde que um bebé de termo. Ao longo do tempo, a influência do meio é cada vez mais importante, sendo os pais e cuidadores influências fundamentais para o processo de aquisição de competências. Estes devem promover um ambiente de estímulos apropriados a cada fase, envolver-se ativamente neste processo desafiando a criança a superar as suas dificuldades, e reforçar positivamente cada conquista.

De forma a elucidar o processo de desenvolvimento no primeiro ano de vida, em linhas gerais, segue um esquema-tipo dirigido a cada idade, assim como algumas dicas para promover o progresso do seu filho.

Primeiro mês
O bebé começa a levantar a cabeça, reage a sons e fixa a face da mãe. Pelas seis semanas começa a apresentar o sorriso social. Para ele tudo é novo, sendo um grande desafio adaptar-se a um mundo cheio de cores, sons, cheiros e texturas.


Deve evitar expô-lo a múltiplos estímulos ao mesmo tempo ou demasiado intensos, promovendo um ambiente calmo onde este se sinta seguro. Aí cante melodias e fale muito com o seu bebé, olhando diretamente para ele, mudando o tom de voz e ritmo do discurso e referindo o seu nome. Eles não vão julgar a sua capacidade vocal ou interesse da conversa, mas vão apreciar a atenção e o vínculo que vai sendo criado. Os recém-nascidos precisam de contacto próximo com os pais e por isso embale-o suavemente no colo ou encoste-o ao seu peito. Pode massajar o bebé delicadamente, por curtos períodos de tempo.

Terceiro mês
Em decúbito ventral já se apoia nos antebraços. Começa a “descobrir as mãos”, brincando com elas e segurando objetos. A capacidade de interação aumenta e reage a aproximação das pessoas mais próximas. Assim, continue a falar muito com o seu bebé, cante e faça expressões faciais. Por outro lado, são importantes momentos de calma, onde juntos podem ouvir música suave ou dançar. Para aumentar o controlo do tronco permita períodos de decúbito ventral, sempre vigiados, ou levante o bebé pelas mãos, da posição deitada para sentada. Dê-lhe objetos para as mãos, como rocas.


Sexto mês
Com seis meses, o bebé é muito curioso, dá gargalhadas e diz monossílabos. Mantem-se sentado e tem tendência para levar todos os objetos à boca (exploração sensorial) ou passá-los de uma mão para a outra. Deste modo, coloque-o num tapete para que possa tentar deslocar-se e deixe-o explorar objetos com diferentes cores, formas e texturas. Coloque-o por períodos sentado, com apoio, e responda aos seus balbuceios, incentivando-o a emitir novos sons.

Nono mês
Nesta altura já domina a posição sentada e quer começar a levantar-se com apoio. Aprendeu a apontar, a desafiar os conviventes atirando propositadamente objetos para o chão e procura algo que perdeu. Já apanha pequenos pedaços de comida para levar à boca e mastiga.

Para o estimular a levantar-se, coloque brinquedos em cima de uma cadeira para que os tente apanhar. Brinque ao “cu-cu”, e mostre repetidamente gestos de adeus ou bater palmas. Aumente a textura dos alimentos para que mastigue. Chame os objetos pelos nomes e incentive a criança a repetir sons.

Décimo segundo mês
Completa-se o primeiro ano de aventuras para os pequenos exploradores, cada vez mais autónomos. Sentam-se sozinhos, deslocam-se a gatinhar e procuram objetos escondidos. Com apoio conseguem levantar-se e baixar-se. Compreendem o seu nome e obedecem a ordens simples como dá. Imitam uma conversa incompreensível.

Incentive a autonomia da criança permitindo-lhe agir conforme a sua vontade. No entanto, seja firme na imposição de limites e não ceda a birras. Estimule-a a falar de forma correta, mesmo que tenha compreendido os seus pedidos.
 

18.º mês
Com 18 meses a criança anda bem. Gosta de ver livros embora folheie varias páginas de cada vez e risca papéis pegando nos lápis preferencialmente com uma mão. Diz 6 a 26 palavras e conhece as partes do corpo.


Nesta fase, ensine-a a arrumar os brinquedos e a evitar expor-se a perigos, como não se aproximar do fogão. Deixe-a rabiscar no papel. Repita com ela as partes do corpo, como por exemplo quando a está a vestir... cante e dance.

2.º ano
Aos 2 anos é vê-lo correr! Gosta de livros, já consegue folheá-los página por página, mas por vezes vai preferir rabiscá-los em círculos. O discurso do tagarela é maioritariamente incompreensível, mas diz claramente o seu nome e o de alguns objetos, assim como frases simples. Põe e tira um chapéu. Bebe pelo copo sem entornar e come sozinho com colher. 


Com tanta energia é ainda trapalhão, pelo que deve incentivá-lo a correr ou a pular num pé. Permita-lhe pintar com tintas adequadas, fazer puzzles simples, e no fim ensine-a a arrumar os brinquedos. Conte-lhe histórias e estimule-a a pronunciar palavras corretamente e a emitir a sua opinião. Inicie o desfralde de acordo com a sua capacidade de fala/compreensão. Peça-lhe para ajudar nas tarefas diárias, como se de um jogo se tratasse.

3.º ano
A criança já sabe subir escadas facilmente. Sabe dizer o seu nome completo, o seu sexo e identifica duas cores. O seu discurso ainda é pouco compreensível por estranhos. Já vai à casa de banho sozinho e despe-se se não tiver botões. Já come com garfo. 

A criança com 3 anos precisa de se mexer muito, de correr, saltar ou andar de triciclo. A sua imaginação é fértil e facilmente mistura a realidade com a fantasia. Este pensamento mágico deve ser respeitado e não ridicularizado. Nos tempos de convívio assistam juntos, por tempo limitado, a programas televisivos adequados, conversem muito e estimule a criança a contar o que fez durante o dia. Tenha paciência porque esta é a fase dos “porquês” e a criança vai esperar que responda às mais mirabolantes dúvidas! Ensine-a a partilhar brinquedos e mantenha regras, apesar de poder haver birras.

4.º ano
A criança sobe e desce escadas fluentemente e salta num pé. Conhece as quatro cores básicas, e por vezes muitas mais, a sua idade e a sua morada. Fala fluentemente. Consegue vestir e despir-se com exceção dos laços e respeita regras como a de esperar pela sua vez.

Habitualmente a criança com 4 anos gosta de construções de puzzles, de desenhar o corpo humano e de cantar. Estimule-a a distinguir as cores. Ajude-a a controlar os impulsos mas incentive-a a verbalizar os seus pensamentos e vontades. Valorize a sua participação nas tarefas domésticas e encarregue-a de transmitir uma mensagem sua a outra pessoa.

A partir do 5.º ano a criança é cada vez mais autónoma mas nem por isso necessita de menos atenção. Acompanhe o desenvolvimento da sua personalidade e da criação de valores.

Promova atividades de movimento, assim como recortes e colagens. Converse com a criança de modo a aumentar o seu vocabulário, questione sobre o significado das palavras e ensine-o caso seja oportuno. Compreenda que a criança possa ter medos e fobias, apoie-a sem a ridicularizar. Incremente a sua noção de responsabilidade e autoestima (por exemplo dando-lhe tarefas complexas e elogiando-a no seu sucesso), mas sem resvalar para a vaidade e sem ser condescendente com a quebra de limites. Consolide regras, sobretudo no que diz respeito ao tempo passado frente a écrãs. 

Não deve comparar o seu filho com as restantes crianças quanto às “habilidades” que faz, mas é importante que fale com o seu médico, caso o processo de desenvolvimento do seu filho lhe cause preocupação ou ansiedade. Caso seja identificado algum atraso de desenvolvimento, o que deve acontecer o mais precocemente possível, o seu médico irá acompanhar e orientar adequadamente.

Em suma, este processo exige muita dedicação, carinho, apoio, conversas e brincadeiras com a criança, assim como a imposição de regras de segurança… é parte do educar! O tempo que dedicar a este projeto trará fortes e boas consequências na vida da criança.
Fonte: Educare

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